Nestlé e Anvisa atuam em conjunto: por que houve o recolhimento preventivo de fórmulas infantis?

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A Nestlé Brasil, em ação coordenada com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), iniciou o recolhimento voluntário e preventivo de lotes específicos de algumas de suas fórmulas infantis. A Anvisa formalizou a medida, proibindo a comercialização, distribuição e uso dos lotes envolvidos em todo o território nacional.
A medida é uma ação de precaução que reforça o compromisso da Nestlé com a segurança, a qualidade de seus produtos e o bem-estar das famílias brasileiras. A ação envolve lotes específicos das seguintes marcas: Nestogeno, NAN Supreme Pro, NANLAC Supreme Pro, NANLAC Comfor, NAN Sensitive e Alfamino.
Este artigo esclarece todos os pontos sobre a iniciativa, de forma a orientar os consumidores com informações claras e precisas.

O compromisso da Nestlé com a segurança: uma ação voluntária

A iniciativa do recolhimento partiu da própria Nestlé, após suas análises de qualidade de rotina identificarem a potencial presença de uma toxina em um ingrediente (óleos) fornecido por um parceiro global. A questão foi rastreada até uma fábrica na Holanda, o que levou a empresa a iniciar uma ação preventiva e voluntária em mais de 20 países, incluindo o Brasil.
Imediatamente após a identificação, a Nestlé comunicou a Anvisa e deu início ao recolhimento de forma voluntária e preventiva. Esta abordagem voluntária, que parte da própria empresa, permite uma resposta mais ágil e eficiente para garantir a segurança do consumidor, alinhando-se às melhores práticas de controle de qualidade. A segurança e a qualidade dos alimentos são a prioridade máxima da empresa, e seus sistemas de controle são regularmente auditados para garantir os mais altos padrões.
É importante destacar que, até o momento, não há relatos confirmados de reações adversas relacionadas aos produtos listados neste recolhimento em nenhuma parte do mundo.
Todos os demais lotes e produtos da Nestlé que não foram mencionados nesta ação estão seguros para consumo e continuam sendo comercializados normalmente.

🔒 Este conteúdo continua abaixo.

Entendendo a contaminação: Bacillus cereus e a toxina cereulide

O que é o Bacillus cereus?

É um microrganismo comumente encontrado em matérias-primas e alimentos. Ele é capaz de formar esporos que são resistentes ao calor e sobrevivem em ambientes com baixa umidade, como as fórmulas infantis em pó. O risco não está no pó em si, mas na possibilidade de os esporos germinarem e produzirem toxinas após a reconstituição do produto, caso ele não seja preparado e armazenado corretamente.

O que é a cereulide?

Em algumas situações, a bactéria Bacillus cereus pode produzir toxinas, como a cereulide. É uma substância resistente ao calor, que, uma vez presente no alimento, não é eliminada pelo aquecimento ou fervura. Por essa razão, a simples suspeita de sua presença motivou a ação preventiva da Nestlé.

Quais os possíveis sintomas?

A exposição à cereulide pode causar efeitos adversos, como vômitos persistentes, diarreia ou letargia incomum (sonolência excessiva, lentidão de movimentos e do raciocínio, e redução da capacidade de reação). Os sintomas, quando ocorrem, geralmente se manifestam em até 6 horas após o consumo do produto.

Qual a origem identificada?

A Nestlé identificou que a possível contaminação está relacionada a uma inconformidade em um dos ingredientes (óleos) fornecido por um parceiro global terceirizado. A empresa já notificou o fornecedor e aprimorou ainda mais seus protocolos internos de qualidade para evitar que a situação se repita.

Verifique seu produto: lotes incluídos no recolhimento

O número do lote e a validade estão gravados no fundo da lata.

Fonte da imagem

Orientações da Nestlé aos consumidores: o que fazer agora

  1. Suspenda o uso imediatamente.

  2. Entre em contato com a Nestlé para devolução gratuita e reembolso integral:

  3. Consulte um Profissional de Saúde: Se a criança apresentar algum dos sintomas descritos após o consumo de um produto dos lotes indicados, ou em caso de dúvidas sobre sua saúde, a orientação é consultar um pediatra ou profissional de saúde.

Conclusão: transparência e cuidado como prioridade

Presente há mais de 100 anos nos lares brasileiros, a Nestlé reafirma seu propósito agindo com máxima transparência e responsabilidade. Esta ação preventiva, em total cooperação com as autoridades sanitárias, é a demonstração prática do nosso compromisso com a segurança e o bem-estar das famílias.

Agora vamos inverter o foco

Esquece Nestlé por um minuto. Me conta: como está o seu procedimento de recall hoje?

No papel, quase toda empresa “tem”. Um POP arquivado, um fluxograma bonito, um parágrafo no manual da qualidade. Tradicional. Certinho. Auditável.
Mas a pergunta que incomoda — e que separa maturidade de ilusão — é outra:

👉 Você conseguiria executar um recall dessa magnitude na prática?

Vamos aos fatos.

Um recall preventivo, bem-feito, exige muito mais do que boa vontade e telefone tocando:

  • Rastreabilidade real, não “mais ou menos”: lote, fornecedor, ingrediente, destino, cliente, canal. Tudo em minutos, não em dias.

  • Integração entre áreas: qualidade, suprimentos, jurídico, comercial, SAC, logística. Se uma dessas trava, o sistema quebra.

  • Critério técnico claro para decisão: quem define o risco? Com base em quê? Limite legal, princípio de precaução, matriz de risco? Ou feeling de gestor?

  • Comunicação controlada: interna e externa. Recall mal comunicado vira crise de reputação — mesmo quando o produto é seguro.

  • Velocidade: recall lento não é recall, é passivo jurídico em construção.

Como otimizar?

Otimizar um sistema desse porte exige mexer em pontos como:

  • Revisar contratos com fornecedores (rastreabilidade e responsabilidade);

  • Testar recall em simulações reais (com tempo cronometrado );

  • Integrar dados de qualidade com logística e comercial (adeus planilhas isoladas);

  • Treinar liderança para decidir sob incerteza técnica;

  • Aceitar que prevenir custa menos do que explicar depois.

Se amanhã surgisse uma inconformidade em um ingrediente crítico da sua empresa:

  • Você saberia em quanto tempo localizar todos os produtos impactados?

  • Conseguiria provar tecnicamente que outros lotes estão seguros?

  • Seu recall protegeria o consumidor — ou apenas a empresa?

Se a resposta não vem na lata, o sistema não está pronto.


Use esse momento para aprimorar o seu sistema, veja mais dicas em: Veja este artigo: Avaliação de tendências evita recalls na indústria de laticínios.

Foto de Marieli Rosseto

Marieli Rosseto

Doutora e mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, graduada em Tecnologia de Alimentos e Agronegócio. Especialista em Qualidade, Segurança de Alimentos e Educação Inclusiva, atua como especialista de processos na indústria de soro de leite e professora na área de qualidade no setor lácteo. Na pesquisa, dedica-se ao desenvolvimento de soluções sustentáveis para a indústria de alimentos, como filmes biodegradáveis a partir de resíduos. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8172882358532158

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